05
jul-2015

DESABAFO: O Homem no Espelho

DESABAFO   /  

homem no espelhoQuem é este homem que me olha com um olhar incrédulo? Quem é este tão igual e tão diferente? Quem é este homem que me olha de volta através do espelho?

Atenção: Este post É UM DASABAFO E NÃO FAZ MUITO SENTIDO. Se não quer ler mimimi online, sugiro NÃO PROSSEGUIR. Se você crê que este texto é uma indireta à você, parabéns, provavelmente acertou. Caso queira continuar lendo, que seja por sua conta e risco. E tenho dito.

 

As vezes me pego olhando para mim mesmo e me assusto com o que encontro em meu reflexo. Não que eu tenha passado por gigantes transformações estéticas, tirando é claro uma perca de peso e um alargador na orelha esquerda. A mudança que noto hoje do Douglas de oito, quatro e até dois anos atrás, está a baixo da pele. Nem todas são visíveis ao mundo externo. Mas elas estão lá. E, vez ou outra, dão um certo arrepio.

Podemos colocar em uma roleta qualquer tema que seja de sua preferência, tenho a absoluta certeza que o homem refletido no espelho terá uma opinião divergente ao que meu interior acha que teria, baseado nas versões anteriores daquele homem refletido.

Aborto. Feminismo. Casamento Gay. Política. Fidelidade. Sucesso. Felicidade. Trabalho. Amizade. Família. Amor. Sexo. Cultura. Respeito. Honestidade. Parece que está tudo bagunçado. Mas a verdade. A verdade é que nada é como antes. E eu estou feliz com tudo isso.

Como esta mudança ocorreu? Primeiramente eu credito à uma das minhas bases filosóficas: “Não existem muros que não possam ser demolidos para a construção de um novo caminho.” ou, como diria o genial Raul Seixas, “Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Eu sou alguém que já começa todos os dias provocando a si mesmo uma mudancinha. Seja ela qual for. A rotina costuma ser minha inimiga e a ideia de algo eternamente imutável me assombra. Todas as mudanças são trabalhosas, mas costumam valer a pena. Não passamos imunes a elas. Sofremos. Aprendemos. Desapegamos. Evoluímos. Mudamos.

Para mim, a experiência de viver um ano na Nova Zelândia foi fundamental para acelerar as coisas e fazer com que o cara que era refletido no espelho antes disso fosse quase um desconhecido. É claro que boa parte das minhas bases continuam as mesmas, mas todo o resto parece ter desmoronado para que algo novo fosse construído.

Apenas para elucidar um exemplo, vou falar das minhas relações amorosas anteriores. Em todos os namoros, eu sempre fui aquele que estava amando uma  (ou algumas) dose a menos.cartas de amor Entre ser sincero e proteger à imagem de durão, escolhia a segunda opção. O meu romantismo era mais uma forma de dasafiar minha própria criatividade do que uma forma de expressão dos meus sentimentos. Sempre me preocupei com o outro, mas nunca antes de mim mesmo. Se a oportunidade de uma piada surgisse, sobretudo se tivesse uma dose de veneno, eu a faria, mesmo que isso machucasse a pessoa amada.
Hoje, chego a ter uma certa dó daqueles que passaram por mim. Conheceram um namorado muito pior do que o Douglas de hoje. Não que eu esteja perto de alguma idealizada perfeição, muito ao contrário disso diga-se de passsagem, mas a minha sensibilidade de hoje não permite com que eu promova uma relação destrutiva, como as anteriores.
Ao mesmo tempo, nem penso em pedir perdão, nem aos meus amores e nem a todos os outros que me rodearam ao longo da minha existência. Não sinto que fiz algo de errado. Eu ofereci o melhor o que pude na época. Assim como no futuro, também não me envergonharei das minhas terríveis falhas do presente. São elas que terei o maior prazer de destruir para que o novo floresça.

Outras situações em outras circunstâncias
Entre uma e outra, às vezes se veem os mesmos defeitos
Todas aquelas marcas do jeito de cada um
Alguns ainda caem por terra
Pra outros poderem crescer
Pitty. Anacrônico.

E vocês, o quanto estão abertos ao novo? O quão diferente é aquele que reflete em seu espelho hoje daquele que lá estava a tão pouco tempo atrás?

Imagem 1: MOVIESPIX
Imagem 2: HOSPITAL DO AMOR

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