06
out-2015

Intercâmbio – Um Ano Depois.

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Este post também poderia se chamar “O Ano Perdido”, bem, pelo menos esta é a visão que a versão de mim mesmo exatos 12 meses atrás erroneamente teria. Mas como poderia saber o quão errado eu poderia estar. Faltavam cerca de 72 horas para eu encerrar a experiência mais importante da minha vida – um ano morando na Nova Zelândia – e  meus planos estavam muito bem formulados em minha mente. Bem, pelo menos é isso que eu pensava na época.

Depois de ter conhecido formas de se viver completamente avessas as que conhecia, descobrir que ser eu mesmo era possível (além de fundamental), me desmontar e redescobrir quem sou, ter ficado longe da proteção que somente o próprio lar pode oferecer… Após tudo isso, bati o pé e gritei aos quatro ventos: Volto para o Brasil! Volto para o lugar de onde vim para ser diferente, para provar a todos – mas sobretudo a mim mesmo – do quanto MUDEI durante os últimos doze meses. O quanto todos poderiam também mudar, onde quer que estivessem. Bastava querer.

piloto ytVoltei decidido a enterrar de vez o meu apelido de infância (BOLA), não seria mais sedentário e nem comeria besteiras. Não mais. Eu seria Fitness, alcançaria em um ano o corpo que sempre desejei. E mais, queria esfregar isso na cara da sociedade. Já coloquei meus pés em terras brasileiras prometendo compartilhar todo este meu processo com o mundo, por meio de textos, fotos e vídeos. Seria um exemplo a ser seguido. Um novo Douglas. Nunca mais chamado de “Bola”, preferencialmente apenas de Doug. Seria irresistivelmente gostoso. E ninguém poderia me impedir. Ledo engano.

EU também seria famoso e ganharia dinheiro produzindo meu próprio conteúdo. Vídeos para internet. Uma mina de ouro.  Tratei de comprar tripé, importei um microfone profissional, ensaiei, gravei pilotos que nunca compartilhei, escrevi roteiros que nunca segui, planejei uma rotina diária que esqueci. Mas a realidade tratou logo de bater na minha cara.

Tudo na teoria parecia tão perfeito e encaixado, mas na prática, algo dentro de mim dizia que aquilo estava errado. Insegurança, auto sabotagem, falta de coragem… – eu ouvi e repeti para mim mesmo. Ledo engano, algo realmente errado estava ali, mas eu não podia ver. Não ainda.

Dos planos que fiz, boa parte fracassei. Se o Douglas de hoje voltasse no tempo, é capaz que minha versão antiga queimasse a passagem de volta e vendesse a alma para ficar onde estava. “Fiz tudo errado. Um ano perdido. Ficando em terras estrangeiras teria evoluído meu inglês, crescido mais como pessoa e dobrado o ano mais incrível da minha vida. 2014 teria 24 meses de duração.” Seria perfeito – se não fosse tudo uma falácia. O Douglas 12 meses mais jovens só pensaria tudo isso se a ele fossem respondidos com exatidão os seus anseios. Tolo. Estava a fazer as perguntas erradas. Mas como julgá-lo? Jogou com as cartas que tinha.

A óbvia constatação do fracasso do meu ano atual começou a se desenhar no final de maio, mas só se concretizou diante de mim em meados de Julho, ainda assim, mais um trimestre foi necessário para que eu passasse pelas fases do luto. Eu relutei, neguei, me enfureci, tentei negociar comigo mesmo, chorei, sofri, me desconstrui, aceitei e só agora consigo ver com clareza – ainda não claro como a mais cristalina água, mas o suficiente para ter o dissernimento de escrever este texto.

Captura de Tela (62)

Hoje sei que o que disse a todos que vim fazer no Brasil foi uma mentira muito bem contada a mim mesmo – e que acreditei. Sim, quero realmente criar conteúdo, ainda tenho o desejo de mudar a vida das pessoas por meio disso (além de ganhar uns bons trocados se possível) e não desejo de forma alguma desandar ao extremo da obesidade mórbida, mas fazer tudo de forma imediatista, para justificar o fim do meu intercâmbio, foi a saída que encontrei para não dizer em voz alta o que não queria dizer nem a mim mesmo. O que? Bem, não chegou a hora de compartilhar este motivo com vocês, ficará para um próximo texto. O que importa aqui é que eu ter iniciado os planos deste ano nesta mentira que me contei foi a base para o fracasso que viria a seguir. Ou, como explorarei nos próximos parágrafos, o sucesso que estava sendo embrionado.

Ao voltar do intercâmbio cheio de certezas, não vi que na verdade trazia apenas dúvidas em minhas malas. Opiniões, conceitos e planos. Tudo me parecia tão concreto, mas só eram sementes. Apenas embriões de ideias que somente com o tempo, amor próprio e o solo certo os fariam desabrochar.

Logo nos primeiros meses após o meu retorno recebi algumas diferentes ofertas de emprego, alguns eram EXATAMENTE o que mais desejei na minha vida por um longo período, mas a todas recusei. Não tinha interesse. Não estava nos meus planos. Queria trabalhar no meu próprio conteúdo e prosperar com isso. 100 or, como fui cego! Não percebi que na verdade eu só estava precisando ficar no meu casulo naquele momento. Estava necessitando gozar dos prazeres e desprazeres da minha própria zona de conforto.

Eu não fugia de um novo emprego por querer investir em “novos projetos”, tampouco por preguiça, eu fugia de algo que me fixasse em algum lugar porque ainda não tinha tirado por completo os meus pés do outro lado do mundo, ainda não tinha a dimensão exata do que uma longa viagem como aquela tinha mudado em mim. Mas, sobretudo, necessitava deixar a época dos perrengues e incertezas para trás. Precisava voltar para recarregar minhas energias do lugar de onde parti. Necessitava passar um tempo sem se preocupar com a compra do papel higiênico ou do sal. Queria mesmo é viver na sombra e água fresca por tempo indeterminado. E, mais uma vez vale ressaltar, não fiz isso por preguiça ou inércia, era uma necessidade de auto descoberta que tive e vivi cada segundo.

Nesta madrugada de insônia em que escrevo estas linhas, olhando para estes 12 meses que se passaram, deixei cair minhas certezas absolutas e florescer as minhas  dúvidas existenciais. Sofri com isso nas últimas semanas, mas hoje tranquilo estou. Me tranquilizo com uma só certeza: Não sei exatamente qual será meu destino, mas fico tranquilo com isso, são exatamente as descobertas do caminho que fazem tudo valer a pena.

O meu ano pós intercâmbio pode até ser visto como um ano perdido, mas será conhecido em minha história pessoal por um nome um pouco mais pomposo: “O Ano Perdido em que Mais Ganhei em Toda a Minha Vida”. Pode até ser que eu não tenha vivido um leque de novas experiências maravilhosas ou conhecido tanta gente FODA como nos 12 meses anteriores, mas, sem sombra de dúvidas, foi o ano em que  consegui pegar tudo o que me foi apresentado, confrontar com a realidade e ter dissernimento para evoluir até este novo pokémon homem que me tornei.


E você, já fez intercâmbio? Se sim, como foi o seu retorno ao Brasil? Conte aqui nos comentários, vamos expandir este diálogo eeee… Welcome Back! :)

 

 

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